Monthly Archive for setembro 2009

as coisas duras de honduras

Embora o título seja um trocadilho infame e sem um pingo de criatividade, vamos falar de coisa séria.

O que ocorreu nesta semana em Honduras com o apoio do Brasil foi, nada mais, nada menos, no que um golpe no golpe.

Zelaya, presidente deposto de Honduras, conseguiu burlar as autoridades hondurenhas para penetrar novamente em seu país, e refugiou-se na embaixada brasileira, la naquelas terras.

O fato é que, nós, como povo que lutou pela democracia a todo custo, não podemos condenar o governo brasileiro por apoiar este ato. Somos um país democratico, e nos comprometemos em defender a democracia, custe o que custar. Sabemos, pois, o que ocorre com os paises que perdem este tão suado benefício.

Entretanto, devemos nos lembrar, também, que Zelaya só está nesta situação por também atentar contra a democracia, bolando um movimento que lhe possibilite disputar nova eleição naquele país, o que constitucionalmente não pode.

O presidente da Costa Rica, ficou responsável em redigir um documento que poderia acabar com o problema. No acordo redigido por Arias, presidente da Costa Rica, o presidente em exercício permitiria o retorno de Zelaya ao poder. Zelaya, por sua vez, não modificaria a constituição e as eleições do mês de novembro seriam acompanhadas por um comitê internacional, formado por todos os paises membros da OEA (Aqui entre nós: “melzinho na chupeta”, como diria o Professor Rufino).

Com esse acordo, todo mundo sairia feliz e cantando uma bela canção. Claro que o plano de reeleição de Zelaya iria por terra, mas pelo menos ele teria a possibilidade de participar das eleições de um outro modo, indicando pessoa de sua confiança, assim como fazemos no Brasil.

Entretanto, parece que o presidente em exercício não confia muito no Zelaya, nem na Costa Rica, nem no Lula, que também está à frente das negociações (e ainda tem mais essa. O Brasil abrigou Zelaya e está sendo responsabilizado, pelo presidente em exercício, por qualquer morte e perturbação da ordem pública em Honduras). Pô, não confiar no Lula, é um direito só nosso. E outra, o nosso país é um dos maiores exemplos na América Latina de que a democracia funciona. Manca de uma perna, cega de um olho, sem o dedinho da mão, mas funciona. Todo mundo fala o que quer, faz o que quer, vota, justifica etc. Que eles dêem pelo menos um credito para a história política do nosso país, né?

O que devemos combater, entretanto, é o uso da embaixada brasileira como palanque eleitoral e ponto de incitação popular para a revolução. Zelaya pediu abrigo, nós demos. Daí usar a estrutura brasileira como pano de fundo para controlar suas marionetes já é outra coisa. Ele não tem nada que ficar discursando da sacada, e muito menos chacoalhar a bandeira hondurenha por lá. A embaixada é solo brazuca, e nem um ato deste tipo pode ser tolerado.

Zelaya foi conduzido novamente ao solo daqueles lados do trópico para facilitar o DIÁLOGO com os golpistas. Só. O Brasil deve agora deixa-lo de castigo sentado numa cadeira, e tentar promover um encontro pacífico e produtivo, em prol do estado democrático de direito e em prol do povo hondurenho. Afinal, os casais sabem muito bem que, embora seja um saco, discutir a relação é o melhor caminho para a paz.

Grande Abraço,

Renato Gomes.

Um dia no cinema

No último dia 07 fui ao cinema para assistir um filme de comédia, em vez de ir a alguma festividade em comemoração ao dia da independência.

De princípio não foi nada difícil escolher o filme. Após ler aqueles folhetos onde colocam todos os filmes, optei por assistir Se beber, não case. Eu nunca ri tanto num filme como eu ri com este. Até hoje, quando lembro do filme e de alguma cena, eu não disfarço o sorriso. Enfim, recomendo.

Após a escolha do filme e a fila da pipoca, a coisa mais difícil foi segurar a pipoca e o refrigerante (grande) na fila, enquanto aguardava a abertura da sala. Muita gente, muitas filas e pouca organização. O que me tirou a paciência algumas vezes.

Enfim… Sentado, começam a passar os trailers, e foi neste interregno temporal que o meu mundo sacolejou. Um dos trailers de maior destaque e tempo foi o de um filme que conta a história de um homem. Dou aqui as características deste homem: Brasileiro, metalúrgico, barbudo, populista, político, petista, semi-analfabeto, sem um dos dedos da mão esquerda, dono de um dos partidos mais corruptos do Brasil e é casado com uma mulher que é primeira dama (dizem).

O filme, que será lançado entre este e o início do próximo ano, conta sua trajetória de vida até os dias de hoje. Desde quando nasceu, na pequena e pacata cidade de Garanhuns, até sua estadia do Palácio do Planalto. Sim, meus caros, o filme conta a história do Presidente. E sim, em época pré-eleitoral. E sim, com o claro intuito de alinhar sua imagem a da companheira Dilma, presidenciável no próximo pleito.

No cinema, ouvi de diversos lugares um burburinho. Alguns diziam “não acredito”. Outros “noooossa, que merda”. Outros “FDP”.

O presidente pode até ser burro, mas o marqueteiro dele, não. Nada mais propício lançar um filme deste, em uma época desta. Ainda mais quando sua candidata está cambaleante nas pesquisas.

Pesquisei, posteriormente, e, passa na boca do povo, que este filme foi o que mais recebeu recursos na história do cinema brasileiro, algo entorno dos R$17 milhões.

Não sou contra que os presidentes conte suas histórias ao povo. Ao contrário, acho isso fundamental para a composição histórica de nosso país. Entretanto, isso deveria ser colocado ao grande público, só depois que ele terminasse o mandato, e depois das eleições. O FHC mesmo fez isso. Contou tudo em livro, citou o Serra mais de vezes. Mas lançou o livro em um momento que não poderia interferir em nada no processo eleitoral. Lula brinca com a inteligência e a memória das massas.

No filme que assisti tinha também um barbudo burro chegado numa bebida, porém, este me fez rir, ao contrário do presidente, que só nos faz lamentar sua existência.

Abraço,

Renato Gomes.