“Cala a boca Pensamento, ou te enfio uma faca.” (Homer Simpson)
Era no ano de 2007, salvo engano. Um sábado. Estava um tempo tipicamente paulistano (frio e garoa bem fina). A vontade de ficar debaixo do coberto com meu pijama, meu gorro, e minha pantufa do Patolino era fenomenal. Mas uma luz em forma de ave nativa desta terra reluziu no céu. Era um chamado, e eu fui. Troquei a vestimenta acima por uma jaqueta, um tênis, boné e cachecol. Não levei guarda-chuva… Eu odeio guarda-chuva.
Vaguei seguindo aquela luz até chegar na pomposa Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, com o vasto verde do Parque do Ibirapuera de vista. Lá estavam reunidos alguns membros da Juventude do PSDB e da ONG Esquerda Pra Valer, que tem sua ligação ideológica com o citado partido político.
Estávamos lá para discutir um assunto de grande importância: o Programa do PSDB para os próximos quatro lustros (20 anos contam todos eles somados).
Este documento é uma diretriz que o partido deve seguir. Sua preparação leva em conta o programa elaborado 20 anos atrás, de modo que se corrija aquilo que na prática não conseguimos aplicar, mantemos aquilo que ficou bom, aperfeiçoamos aquilo que não ficou tão bom e inovamos para os 20 anos seguintes.
Naquele dia, aquele grupo formulou misticamente 45 propostas que seriam levadas ao Congresso do Partido, onde todas as propostas, de todos os seguimentos seriam lidas, debatidas, defendidas, votadas e, se aprovadas, entrariam para o programa.
Vou me ater aqui a apenas uma delas, a qual foi a que mais rendeu debate, e a que eu julgo mais polêmica, complexa e de difícil aprovação seja neste ou em outros mundos. Ela?A Reforma Política.
A juvenil mente pensante daquele grupo (inclui-se aqui todos os presentes), formulou o que chamamos de ‘Político de Carreira’. Este item consiste em fazer do político um profissional treinado, afastando assim os aventureiros (Sérgio Malandro, Dinei (grande Dinei (jogador), o cara do raça negra, a falsa Lacraia, Frank Aguiar e, o clássico, Clodoviu).
O negócio funcionaria assim: Uma pessoa que quisesse se candidatar para vereador, deveria ter, no mínimo, três anos de militância partidária. Para que ele se candidatasse a Prefeito, deveria, obrigatoriamente, ter sido vereador. Para que fosse Deputado Estadual, deveria ter sido Prefeito OU Vereador. Para ser Governador, deveria ter sido Prefeito OU Deputado Estadual. Para ser Deputado Federal, deveria ter sido Governador OU Deputado Estadual. Para que fosse Senador, deveria ter sido Governador…… respire….. Para que este tentasse ser Presidente, deveria ter sido Governador ou Senador. Pra que ele tivesse uma barraca de pastel na feira, bastava ser filho de chinês. Enfim… Cria-se uma escalada política baseada nas conquistas da profissão. Hoje em dia, ninguém chega a Presidência de uma empresa privada se não tiver comido muita grama, e bem comida. Se não trabalhar direito, não sobe. Aí sim… aí dá pra falar que foi perdoado, aclamado, eleito tudo pela vontade do povo.
Outro item que transbordava daquela aula de vergonha na cara era o da reeleição para mandatos legislativos. Hoje em dia, o caboclo se reelege quantas vezes quiser. Tem vereador aqui na Câmara de São Paulo que está já no quinto mandato (façam as contas: 5 mandatos de 4 anos cada. 5×4=20. 20 anos como vereador). Se o cara está fazendo coisas boas, tudo bem, mas o problema é que ficando muito tempo por lá, ele passa a conhecer tudo quanto é buraco da casa, e seus desvios de conduta passam totalmente despercebidos. A continuidade em um único cargo leva o parlamentar à corrupção. Nosso projeto dava ao legislador apenas uma reeleição, ou seja, ele se elegia e podia se reeleger para um outro mandato. Na terceira eleição, ele deveria tentar uma vaga numa instância superior, conforme clara, exaustiva e cansativamente explanado supra.
Acontece, caro leitor, que essas políticas quando colocadas em processo de aprovação nunca são votadas, pois não é de interesse da velharia política que se implante tais mecanismos. Isto acabaria com o reinado de muito pilantra que existe na política nacional.
Com isso, só nos resta a esperança de ver você, jovem, compondo seu grupo lá na frente, recordando-se dos belos projetos do passado. Deixe que a mosca azul da política lhe pique. Mas a mosca nova, porque da velha nós já cansamos.
Um reformado abraço,
RENATO GOMES
O pedreiro…


0 Resposta para “nossos tijolos e a reforma política”