Embora o título seja um trocadilho infame e sem um pingo de criatividade, vamos falar de coisa séria.
O que ocorreu nesta semana em Honduras com o apoio do Brasil foi, nada mais, nada menos, no que um golpe no golpe.
Zelaya, presidente deposto de Honduras, conseguiu burlar as autoridades hondurenhas para penetrar novamente em seu país, e refugiou-se na embaixada brasileira, la naquelas terras.
O fato é que, nós, como povo que lutou pela democracia a todo custo, não podemos condenar o governo brasileiro por apoiar este ato. Somos um país democratico, e nos comprometemos em defender a democracia, custe o que custar. Sabemos, pois, o que ocorre com os paises que perdem este tão suado benefício.
Entretanto, devemos nos lembrar, também, que Zelaya só está nesta situação por também atentar contra a democracia, bolando um movimento que lhe possibilite disputar nova eleição naquele país, o que constitucionalmente não pode.
O presidente da Costa Rica, ficou responsável em redigir um documento que poderia acabar com o problema. No acordo redigido por Arias, presidente da Costa Rica, o presidente em exercício permitiria o retorno de Zelaya ao poder. Zelaya, por sua vez, não modificaria a constituição e as eleições do mês de novembro seriam acompanhadas por um comitê internacional, formado por todos os paises membros da OEA (Aqui entre nós: “melzinho na chupeta”, como diria o Professor Rufino).
Com esse acordo, todo mundo sairia feliz e cantando uma bela canção. Claro que o plano de reeleição de Zelaya iria por terra, mas pelo menos ele teria a possibilidade de participar das eleições de um outro modo, indicando pessoa de sua confiança, assim como fazemos no Brasil.
Entretanto, parece que o presidente em exercício não confia muito no Zelaya, nem na Costa Rica, nem no Lula, que também está à frente das negociações (e ainda tem mais essa. O Brasil abrigou Zelaya e está sendo responsabilizado, pelo presidente em exercício, por qualquer morte e perturbação da ordem pública em Honduras). Pô, não confiar no Lula, é um direito só nosso. E outra, o nosso país é um dos maiores exemplos na América Latina de que a democracia funciona. Manca de uma perna, cega de um olho, sem o dedinho da mão, mas funciona. Todo mundo fala o que quer, faz o que quer, vota, justifica etc. Que eles dêem pelo menos um credito para a história política do nosso país, né?
O que devemos combater, entretanto, é o uso da embaixada brasileira como palanque eleitoral e ponto de incitação popular para a revolução. Zelaya pediu abrigo, nós demos. Daí usar a estrutura brasileira como pano de fundo para controlar suas marionetes já é outra coisa. Ele não tem nada que ficar discursando da sacada, e muito menos chacoalhar a bandeira hondurenha por lá. A embaixada é solo brazuca, e nem um ato deste tipo pode ser tolerado.
Zelaya foi conduzido novamente ao solo daqueles lados do trópico para facilitar o DIÁLOGO com os golpistas. Só. O Brasil deve agora deixa-lo de castigo sentado numa cadeira, e tentar promover um encontro pacífico e produtivo, em prol do estado democrático de direito e em prol do povo hondurenho. Afinal, os casais sabem muito bem que, embora seja um saco, discutir a relação é o melhor caminho para a paz.
Grande Abraço,
Renato Gomes.
